Você já ouviu a expressão “você é o que você come”?
A neurociência mostra que essa frase é mais verdadeira do que imaginamos. O que colocamos no prato influencia não apenas o corpo, mas também o humor, a memória, o foco e até o risco de desenvolver doenças neurológicas.
Nos últimos anos, pesquisas têm revelado que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados está relacionado ao aumento de distúrbios emocionais, cognitvos e degenerativos. O que antes era apenas um problema nutricional hoje é reconhecido como uma questão cerebral.
Em outras palavras: cada garfada pode fortalecer — ou sabotar — o órgão mais importante que você possui.
Entendendo o que são ultraprocessados
Você pode até não reconhecer o termo, mas com certeza já teve contato com eles hoje.
Os alimentos ultraprocessados são produtos industrializados formulados com substâncias isoladas e aditivos químicos — como conservantes, realçadores de sabor, corantes e emulsificantes. Eles foram projetados para ter longa duração e sabor intenso, mas oferecem baixo valor nutricional.
Entre os exemplos mais comuns estão pães de forma industrializados, biscoitos recheados, refrigerantes, salgadinhos, embutidos e refeições prontas. No entanto, por trás de toda essa praticidade e do sabor marcante, existe uma bomba silenciosa que gradualmente altera o funcionamento do cérebro. Além disso, o consumo frequente desses produtos contribui para que o organismo se acostume a estímulos artificiais e perca sensibilidade ao sabor natural dos alimentos.
Esses alimentos fornecem calorias vazias, quase nenhuma fibra e poucos micronutrientes. Com o tempo, isso causa déficit de energia neuronal, prejudicando concentração, humor e capacidade de aprendizado.
A neurociência da alimentação: o cérebro inflamado

O cérebro é um órgão sensível e precisa de equilíbrio químico para funcionar bem. No entanto, quando esse equilíbrio se rompe, o desempenho mental começa a declinar de forma silenciosa. Isso acontece porque os ultraprocessados, ricos em açúcares refinados e gorduras ruins, provocam uma inflamação sistêmica que acaba ultrapassando a barreira hematoencefálica — a proteção natural do sistema nervoso. Como resultado, quando essa barreira é comprometida, toxinas e substâncias inflamatórias penetram no cérebro e consequentemente geram desequilíbrios que afetam o raciocínio e o estado emocional.
Essa inflamação silenciosa pode prejudicar regiões como o hipocampo, responsável pela memória e pelo aprendizado, e altera o funcionamento do sistema de recompensa, relacionado à dopamina — o neurotransmissor do prazer e da motivação.
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Dopamina: prazer imediato, fadiga constante
Ao consumir alimentos muito doces ou gordurosos, o cérebro libera dopamina rapidamente, criando uma sensação de prazer momentâneo. Porém, essa recompensa é curta e seguida de queda brusca.
Com o tempo, o cérebro passa a exigir mais estímulo para sentir o mesmo prazer, o que leva à compulsão, apatia e desmotivação.
Esse mecanismo é o mesmo que ocorre em outras formas de dependência: quanto mais se busca a sensação, mais o sistema de recompensa se desgasta.
Resultado? Menos prazer, mais ansiedade e um ciclo de cansaço constante.
O que a ciência está dizendo agora ?

Estudos de neurociência sugerem uma associação clara entre o consumo frequente de ultraprocessados e o aumento de sintomas precoces de doenças neurológicas, como distúrbios do sono, tremores leves e lapsos de memória.
Isso não significa que comer algo industrializado de vez em quando fará mal, mas reforça a importância de equilíbrio e consciência alimentar.
Pesquisas recentes também mostram que dietas naturais, ricas em frutas, vegetais, oleaginosas e gorduras boas, melhoram a performance cognitiva e reduzem processos inflamatórios cerebrais.
Sinais de que sua alimentação pode estar prejudicando a mente

Importante: Esses sintomas são apenas indicativos e podem ter diversas causas. Sempre procure um profissional de saúde para avaliação personalizada e diagnósticos precisos.
Você não precisa esperar um diagnóstico para perceber que algo não vai bem com seu cérebro. Afinal, o próprio corpo costuma enviar sinais muito antes de qualquer resultado clínico. Com o tempo, pequenos comportamentos e sensações do cotidiano já revelam que o que está no seu prato pode estar afetando diretamente sua mente. Por isso, observe com atenção os sinais a seguir, que podem estar ligados ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados:
- Névoa mental (brain fog): dificuldade de raciocínio claro, memória falha e sensação de estar “desligado”.
- Cansaço constante: mesmo após dormir bem, você acorda sem energia e com baixa motivação.
- Oscilação de humor: irritabilidade, ansiedade repentina ou tristeza sem motivo aparente.
- Dificuldade de concentração: distrações frequentes, dificuldade para finalizar tarefas simples.
- Sintomas precoces de desequilíbrio neurológico: como tremores leves, descoordenação motora ou lapsos de memória mais intensos.
Esses sinais não devem ser ignorados. Muitas vezes, eles são os primeiros alertas de que o cérebro está reagindo à sobrecarga de aditivos químicos, inflamação e falta de nutrientes essenciais.
O que fazer a partir de hoje
A boa notícia é que o cérebro tem uma capacidade incrível de regeneração — desde que você ofereça o ambiente certo. Pequenas mudanças consistentes podem transformar sua saúde mental e prevenir danos futuros. Aqui vão algumas estratégias práticas e acessíveis para começar hoje mesmo:
- Planeje suas refeições com antecedência: evite decisões impulsivas baseadas em conveniência.
- Faça substituições conscientes: troque embutidos por ovos cozidos ou vegetais assados; refrigerantes por água com limão ou chá natural.
- Dê preferência a alimentos com identidade natural: quanto menos ingredientes e mais reconhecível for o alimento, melhor para o seu cérebro.
- Pratique atenção plena ao comer: comer devagar, sentindo o sabor dos alimentos, melhora a digestão e regula o sistema nervoso autônomo (especialmente o nervo vago, responsável pela sensação de bem-estar).
- Inclua alimentos neuroprotetores na rotina: como abacate, castanhas, cúrcuma, azeite extravirgem, frutas vermelhas e vegetais verde-escuros.
você é o que alimenta a sua mente
Comer não é apenas um ato biológico — é também um ato emocional e mental.
Cada escolha alimentar envia uma mensagem ao seu corpo: “eu me importo comigo mesmo”.
A neurociência mostra que cuidar do que se come é uma das formas mais diretas de fortalecer o cérebro, equilibrar as emoções e melhorar a qualidade de vida.
Não é sobre restrição, mas sobre consciência.
Lembre-se: você é o que alimenta a sua mente — e seu cérebro também come o que você pensa.
“Compartilhe este artigo com quem você ama. Cuidar da mente começa com o que vai ao prato — e ninguém precisa fazer isso sozinho.”
“Este artigo é informativo e não substitui orientações médicas. Em caso de sintomas persistentes, procure um profissional da saúde.”

Robson M. Silva é criador do Empório da Mente e pesquisador independente nas áreas de neurociência, comportamento humano e inteligência emocional.

